Utilização de instrumentos Reflexivos (IR), no Curso de formação de professores.







UTILIZAÇÃO DE INSTRUMENTOS DE REFLEXÃO NO CURSO DE FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES NO INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO – HUAMBO E ISUPE EKUIKUI II NA PROVÍNCIA DO HUAMBO.
 RESUMO: Um portefólio corresponde ao conjunto dos trabalhos desenvolvidos, ao longo de um certo período de tempo, por exemplo um ano lectivo. Constitui o registo diário da evolução das aprendizagens, ao nível dos conhecimentos e das competências e, por isso, é um instrumento inacabado que vai permitindo corrigir erros. Trabalhar com portefólio requer a nossa intervenção activa na construção de conhecimentos e no desenvolvimento de competências, em vez de recebermos passivamente as informações transmitidas pelo professor. Esta metodologia de trabalho envolve-nos na planificação das aprendizagens através de projectos concretos.  
11-   Introdução
O Termo Portefólio, é um termo que é bastante desconhecido e pouco tratado na realidade do ensino angolano. Na verdade no contexto angolano, não é comum o debate em torno do portefólio (Vila e Matos, 2017).
Na província do Cunene o cenário não é diferente. Pelas nossas observações e experiência como docentes no II Ciclo e no Ensino Superior, concretamente na Escola Superior Pedagógica do Cunene (ESPC) e Instituto Superior Politécnico do Cunene (ISPC), não se discutem assuntos ligados aos portefólio, incluindo nas jornadas cientificas onde também poderiam ser apresentados e explicar sua importância no processo de ensino-aprendizagem. Por isso, sua introdução e discussão no processo de ensino-aprendizagem na realidade angolana constituem um problema urgente.
2 2-  Utilização de instrumentos de reflexão no curso de formação inicial de professores
 Para Vila e Matos (2017 Pag. 2), nos últimos tempos os modelos de Formação Inicial de Professores (FIP) têm desenvolvido metodologias que se afigurem pertinentes e que saibam cabalmente responder aos problemas das complexas sociedades em que vivemos.
Segundo (V. Zeichner, 1993, 2008; Alarcão, 1996, 2008), citados por Vila e Matos (2017), é comum falar sobre formação reflexiva de professores o que implica também falar de metodologias ativas de ensino-aprendizagem. Estas metodologias não devem basear-se na lógica tradicional de acumular informações de conhecimentos por parte dos estudantes, mas sim, serem encorajados a utilizar Instrumentos de Reflexão (IR) nas atividades promotoras e desenvolvedoras de iniciativas (Nogueira, 2013), Citado Por Vila e Matos (2017).
Nesta ordem de ideias os portefólios servem de instrumentos de reflexão (IR), que facilitam os docentes e estudantes a passarem de uma metodologia de acumulo de conhecimentos para uma metodologia activa e reflexiva, que ajuda os professores e estudantes a refletirem e definirem as actividades que pretendem desenvolver de acordo a realidade objectiva. 
Os estudantes e professores devem colaborar para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem. Por isso os professores não devem ignorar as expectativas de aprendizagem dos alunos, seus desejos, suas experiências anteriores, pois os estudantes são sujeitos ativos do processo de ensino – aprendizagem.
Os estudantes devem participar activamente na construção de seus portefólios de aprendizagem, porque para Hernández (1998), Citado por Vila e Matos (2017),no campo educativo, e em particular na formação de professores (FP), o portefólio é definido como conjunto de documentos coligidos que envolvem as experiências pessoais, as ideias, as emoções, as atividades fora da sala da aula, as imagens que visam demonstrar as provas da competência adquirida, e as estratégias elaboradas para o sucesso da aprendizagem. Neste caso, professores e estudantes devem participar activamente na construção de seus portefólios, isto permite que os estudantes participem na construção da própria aprendizagem.  
Para Hilzendeger (2010), Citado por Vila e Matos (2017), o portefólio vai além de um simples ficheiro, possibilitando a organização do trabalho da aprendizagem do estudante. Isto significa que o portefólio é um instrumento reflexivo que ajuda a organizar o processo de ensino-aprendizagem. Ajuda os professore a organizarem o processo de ensino de forma activa e os alunos a refletirem sobre o que aprendem. Dá a possibilidade aos estudantes de organizarem e refletirem sobre a própria aprendizagem.
Tinoco (2012), considera o portefólio como um IR sistemático que possibilita o diálogo constante entre o professor orientador e o estagiário, para facilitar a resolução de conflitos e de problemas de aprendizagem através das várias evidências compiladas, levando em conta os objetivos propostos inicialmente. Nesta ordem de ideias, podemos afirmar que o portefólio é um instrumento que permite melhorar a relação entre professores - estudantes, estudantes-estudantes, e eleva o espírito de trabalhar em equipa. Por isso este instrumento reflexivo é indispensável para um ensino qualitativo e uma aprendizagem significativa.
 Já Vaz e Prado (2014) definem o portefólio como ponto de partida para uma reflexão através da demonstração das suas experiências e vivências. Para Costa e Cota (2014), é um instrumento de diálogo entre o estudante e o professor, que deve ser reelaborado e partilhado sempre que necessário, adotando diversas formas de interpretar as várias atividades em volta dos seus atores.
Ceia (1998), entende-o como o conjunto de resultados concretos alcançados pelo estagiário durante a sua atividade formativa.
Percebemos que o portfólio constitui, por si só, um IR e de diálogo entre estudante e professor, que possibilita visualizar os resultados da aprendizagem de forma objetiva através de um conjunto de documentos compilados; “representa um olhar autocrítico sobre aquilo que se ensinou, sobre os métodos de ensino utilizados e sobre o processo de avaliação a que o professor-estagiário se sujeitou.” (Ceia, 1998, p. 2).
Então pode se afirmar que o portefólio é sem dúvidas um instrumento que permite fazer uma reflexão critica e objectiva sobre todo o processo de ensino-aprendizagem, isto é, o processo de ensino – aprendizagem tomado em amplitude e em profundidade.  Por isso sua utilização na Formação Inicial de Professores tem sido sugerida por vários autores. (V. por exemplo. Torres, 2008; Hilzendeger, 2010; Kalk, et al., 2014; Costa & Cotta, 2015). Neste âmbito, o portefólio como instrumento de práticas inovadoras, serve à FIP como parte integrante da aprendizagem dos professores-estagiários, com o propósito de contribuir para as boas práticas de aprendizagem (Costa e Cotta, 2015).
Através desta ferramenta os estudantes são levados a pensar, analisar, sintetizar e avaliar “as informações que, geram ideias e tomam decisões com autonomia para no final aplicarem o conhecimento que estão adquirindo. De forma ativa e interativa, os estudantes passam a trabalhar numa perspetiva consciente e dinâmica de todas as” fases que compõem o processo de ensino e aprendizagem (Costa, Cotta & Mendonça, 2015, p. 584). Esta posição, também é defendida por Kraneekij e Khlaisang (2015) quando postulam que o portefólio é um instrumento que providencia oportunidade para os estudantes desenvolver a capacidade de análise, de síntese, de compreensão e desenvolver o pensamento crítico reflexivo no processo de ensino aprendizagem. O portefólio é um instrumento que tem como base metodológica o diálogo e a comunicação entre o professor e o estudante com a finalidade de desenvolver não só as capacidades reflexivas mas também, atitudes e capacidade (Costa, Cotta & Mendonça, 2013).
3-    Vantagens do uso de portefólio 
 Para Viegas (2005),o portefólio materializa-se numa pasta que inclui o material recolhido  e produzido e deverá ser partilhado com a turma , entre diversas turmas , com  os pais ou com outras pessoas que se interessem pelos temas trabalhados, e pode por exemplo, ser parcialmente apresentado nas paginas da Internet da escola.  o portefólio permite fazer, pensar sobre o que se fez e refazer, por isso tem a vantagem de:
1.    Mostrar o saber, o fazer, o saber-fazer e o saber-ser;
2.    Ser um registo global de um processo pessoal e único de aprendizagem;
3.    Implicar um papel ativo e responsável na construção da aprendizagem;
Para Veigas (2005), quanto aos conteúdos, os documentos devem:
1.    Abranger todas as áreas dos programas;
2.    Estar relacionados com objectivos do programa e a sua planificação;
3.    Ser diversificados;
4.    Expressar processos e produtos,
5.    Mostrar as aprendizagens e as dificuldades relevantes;
6.    Expressar um percurso pessoal





Conclusão 

Em jeito de conclusão pode se afirmar que o portefólio é um instrumento reflexivo que pode ser utilizado por professores e estudantes, para refletirem profundamente, desenvolverem e melhorarem o processo de ensino-aprendizagem em todas as suas dimensões, isto é, materiais, estrutura física das instituições escolares, equipamentos, laboratórios, metodologias empregues, conceptualização de conhecimentos, avaliação de conhecimentos, habilidades desenvolvidas e actitudes demonstradas por professores e estudantes.







Referencias Bibliográficas
Veiga; B.J (2005). Técnicas de trabalho: Como fazer um portefólio.ES  
Vila; A.M.A e Matos; G.M.A (2017). Utilização de instrumentos de reflexão no curso de formação inicial de professores no instituto superior de ciências da educação – Huambo e Isupe ekuikui II na província do Huambo.















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