Dados referentes ao aproveitamento académico dos alunos da 12ª classe da EFTSO na disciplina de Química
1 Introdução
Na
sociedade moderna não é possível desenvolver qualquer actividade sem fazer
recurso os dados Matemáticos. A Matemática esta presente em todos os modos nossa
vida, tanto de de forma implícita ou explícita.
Existem
coisas que nós realizamos no quotidiano, como preparar um almoço para n convidados, fazer as despesas para
casa, a compra de roupas para os membros da família, pagar os gastos com o
combustível, água, luz, colégio para os filhos etc, são assuntos que requerem
uma planificação e análise rigorosa para que no final de cada mês tenhamos a
ideia de quanto ganhamos durante o mês e o que teremos de gastar ou
economizar.
No
processo de ensino-aprendizagem a realidade não é diferente. A análise dos
resultados académico dos alunos em uma determinada classe ou disciplina, requer
dos gestores e dos docentes uma planificação, análise e interpretação dos
mesmos de forma consciente e rigorosa, para tirar destes as conclusões mais
viáveis e pensar em soluções mais adequadas para a melhoria do processo de
ensino-aprendizagem.
Nesta
linha de ideias baseando-se nos métodos da estatística descritiva, que visa a coletar,
organizar, descrever, analisar e interpretar dados, estudamos as tendências de
uma variável matemática, isto é, nota dos alunos da escola de formação de
técnicos de saúde de Ondjiva-Cunene, no ano lectivo de 2017.
Avaliou-se
o aproveitamento académico dos alunos dos cursos de Farmácia e Analises
clinicas das turmas únicas.
Queremos
saber qual é o nível de conhecimento que os alunos da 12ª classe dos cursos
mencionados possuem no que tange a Química Geral.
Utilizamos
uma população de 52 alunos, sendo 26 para cada uma das turmas (Ver anexo). A
amostra utilizada foi do tipo estratificada, retirando de forma aleatória
simples sem reposição 10 fichas de 26, numeradas com números arábicos de 1á 26,
conforme o número de alunos que compõem cada uma das turmas.
Este
processo foi feito em ambas as turmas, visto que, possuem o mesmo número de
alunos. No final obtivemos uma amostra de 20 alunos, retirando proporções
iguais, isto é, 10 alunos em cada uma das turmas, representando 38% da
população. As extrações sem reposição não são equiprobabilisticas, isto é, os
números sorteados não tiveram a mesma probabilidade de serem selecionados.
O
primeiro número sorteado teve a probabilidade de 1/26, o segundo 1/25, o
terceiro 1/24, …. e o último neste caso o decimo 1/17. Verifica-se que, a
probabilidade não é a mesma para todos os alunos, ela cresce a medida que são
retiradas fichas da caixa para serem sorteadas.
O
mais aconselhável seria a retirada das fichas com reposição, para que todos os
alunos tivessem a mesma probabilidade de serem selecionados. Optamos pela
extração sem reposição, por ser menos trabalhosa, evita que um mesmo número
apareça mais de uma vez, ou que saia um número que esteja fora dos limites da
amostra selecionada.
Por
outro lado, a extração sem reposição é a mais utilizada no processo de ensino –
aprendizagem.
2- Análise e discussão dos resultados.
Tendo
em conta a mostra estatística, e recorrendo a técnica de seleção aleatória
simples sem reposição, extraímos da população ( Mini-pautas de Química Geral em
anexo das turmas única dos cursos de Farmácia e Analises Clinicas da escola de
formação de técnicos de saúde de Ondjiva-Cunene).
Desta
extração obtivemos os seguintes resultados:
Ø Turma
única do curso de Farmácia: Números na mini-pauta dos 10 alunos sorteados: 01,
23, 15, 07, 12, 06, 03, 11, 20, e 22.
Ø Turma
única do curso de Analises Clinicas: Número na mini-pauta dos 10 alunos
sorteados: 10, 02, 14, 18, 07, 20, 13, 01, 16, e 09.
Depois
de termos colocado o número na mini-pauta dos 20 alunos sorteados em ambas as turmas,
construímos uma tabela com quatro colunas e cinco linhas, constituindo 20
quadradinhos.
Em
cada quadradinho, que corresponde a um aluno selecionado, foi colocado a nota
do mesmo, fazendo a relação número sorteado e nota na mini.pauta de Química
Geral. Este processo foi realizado em ambas as turmas, começando pela turma
única do curso de Farmácia.
Assim
obtivemos:
Tabela
(1): Nota dos alunos selecionados, extraídos da mini-pauta de Química Geral.
|
08
|
10
|
10
|
11
|
|
09
|
10
|
10
|
10
|
|
08
|
11
|
07
|
12
|
|
11
|
10
|
07
|
10
|
|
10
|
10
|
12
|
11
|
Em
seguida organizamos os dados coletados das mini-pautas (notas) em uma tabela de
frequências.
Sabemos
que a variável notas esta numa escala contínua, por isso devíamos organizar
estes dados em uma tabela de frequências com intervalo de classes. Mais por uma
questão cautelosa e de rigor na análise dos mesmos preferimos utilizar as notas
como se fossem variáveis discretas, por isso construímos uma tabela de
frequências sem intervalos de classe, próprios pares variáveis discretas, assim
vem:
Tabela
(2): Tabela de frequências sem dados agrupados por intervalos de classe.
|
Xi
|
Fi
|
Fr
|
Fiac
|
Frac
|
Fr%
|
|
07
|
02
|
0,10
|
02
|
0,10
|
10
|
|
08
|
02
|
0,10
|
04
|
0,20
|
20
|
|
09
|
01
|
0,05
|
05
|
0,25
|
25
|
|
10
|
09
|
0,45
|
14
|
0,70
|
70
|
|
11
|
04
|
0,2
|
18
|
0,90
|
90
|
|
12
|
02
|
0,10
|
20
|
01
|
100
|
|
Total
|
∑Fi = 20
|
∑Fr
= 1
|
|
|
|
Depois
da tabela acima, para uma questão de facilitar a interpretação dos dados
decidimos construir um gráfico ou histograma de frequências absolutas sem
intervalo de classes.
Verifica-se
pelo gráfico (1) que os dados não obedecem, uma distribuição regular, pelo que
são assimétricos. Então teremos que considerar os dados como verdadeiramente
contínuos, descartando a hipótese que eles sejam discretos. Neste caso vamos
agrupa-los por intervalos de classe, com objectivo de verificar e analisar as
tendências da variável e sua representatividade.
Assim,
primeiramente começaremos por calcular o número de classes pela equação de
Sturges , logo vem:
K≈ 1
+ 3,32*logn.
Como
n é 20 teremos:
K≈ 1
+ 3,32*log20
K≈ 1 + 4,32
K≈ 5,32. É necessário saber que K indica o número de classes, por isso
não deve ser apresentado na forma decimal, logo teremos: K = 5.
Agora
vamos determinar a amplitude de cada classe (h), começando por determinar a
amplitude amostral (A.A). Esta última é a diferença entre a maior nota coletada
pela menor.
A.A=
12- 7= 5. Neste caso, estamos em condições de determinar a amplitude de cada
classe, fazendo a razão entre A.A, pelo K, assim teremos:
h =
A.A/K = 5/5 = 1. A amplitude de cada
classe é igual a unidade.
Construindo
uma tabela de frequências com dados agrupados por classes intervalares,
adicionando a amplitude de cada classe (h) ao dado menor coletado, para
encontrarmos o limite superior da primeira classe vem :
Tabela
(3): Tabela de frequências absolutas com dados agrupados por intervalo de
classes.
|
Número de classes
|
Classes
|
Fi
|
Fr
|
Fiac
|
Frac
|
Fr%
|
Xi= Pm
|
|
01
|
07 Ⱶ 08
|
02
|
0,10
|
02
|
0,10
|
10%
|
7,5
|
|
02
|
08 Ⱶ 09
|
02
|
0,10
|
04
|
0,20
|
20%
|
8,5
|
|
03
|
09 Ⱶ10
|
01
|
0,05
|
05
|
0,25
|
25%
|
9,5
|
|
04
|
10 Ⱶ 11
|
09
|
0,45
|
14
|
0,70
|
70%
|
10,5
|
|
05
|
11 Ⱶ 12
|
06
|
0,30
|
20
|
01
|
100%
|
11,5
|
|
Total
|
|
∑ Fi=20
|
∑ Fr=1
|
|
|
|
|
Para
maior clareza na interpretação dos dados, construímos um gráfico ou histograma
de frequências absolutas com dados agrupados em intervalo de classes.
O
gráfico foi construído fazendo a relação entre o ponto medio (Xi) com os
valores da frequência absoluta dos dados agrupados por intervalo de classe,
extraídos da tabela (3), assim vem:
Fazendo
uma análise ao gráfico (1) sem agrupamento dados em intervalo de classes e o
gráfico (2) com agrupamentos dos dados em intervalo de classes, verifica-se que
não existem diferenças notórias na representação dos mesmos. As tendências da
variável são as mesmas, tanto para dados contínuos como para dados discretos
hipotéticos. Assim podemos afirmar que a amostra selecionada é válida pois
possui caracter representativo, ou seja, a amostra selecionada é
representativa.
Como
não haverá diferenças notórias analisando estes dados de forma continua ou
discreta, calcularemos as medidas de tendências central, de posição e de
variabilidade para nos auxiliarem na interpretação dos dados com tendências assimétricas
considerando os dados hipoteticamente discretos.
Ø Cálculo
da média (Xp).
A
média será ponderada, pois os valores de Xi ( ver tabela 2) possuem pesos .Xp = ∑Xi*Pi/∑Pi
Fazendo
recurso a tabela (2) teremos:
Xp =
14+ 16 + 9 + 90 + 44 + 24/20
Xp=
197/20
Xp=
9,85. Pela análise da média este resultado, indica que a nota média na
disciplina de Química geral por aluno nestas turmas é de 9,85 valores que
arredondando chega aos 10 valores, no sistema vigente em Angola.
Como
os dados são assimétricos a média pode nos induzir em erros de interpretação dos
mesmos, por isso calcularemos a moda e a mediana dos dados.
Ø Cálculo
da Moda (Mo).
A
moda dos dados é o valor de Xi que possui a maior frequência. Neste caso,
fazendo recurso a tabela (2) verifica-se que o valor de Xi com a maior
frequência é 10, logo teremos: Mo = 10. Isto quer dizer que os alunos destas
turmas obtêm maioritariamente nota 10 na disciplina de Química Geral.
Ø Cálculo
da Mediana (Me).
A
mediana é o valor central de um conjunto de dados ordenados. Para o nosso caso,
como o valor de n é par, isto é, n=
6,teremos que localizar as posições 1 e 2, em seguida achar a semi-soma das
posições que indicará o valor da mediana.
Partindo
da tabela (2) vem:
Posição
(1): n/2 = 6/2 = 3
Posição
(2): n/2 +1 = 6/2 + 1= 4
Retirando
as posições na tabela (2) vem:
Posição
(1) = 9
Posição
(2) = 10
Me =
9 + 10/ 2 = 8,5. Este valor, mesmo sendo arredondado para 9 é inferior ao valor
da média. Isto quer dizer que estes dados pela assimetria que apresentam devem
ser mais bem interpretados pelo valor da mediana. Interpretando o valor da
mediana, é notório que dividindo as notas ordenadas destas turmas em partes
iguais,8,5 será a nota central ou de equilíbrio dos alunos na disciplina de
Química Geral.
Pela
interpretação e análise dos resultados da mediana, media e moda obtidos,
verifica-se que estes dados apresentam uma assimetria com tendências negativas
ou a esquerda.
Me =
8,5; X = 9,95 ; Mo = 10.
Me
< X < Mo
Também
podemos calcular as medidas de variabilidade para ajudarem-nos a interpar a
concentração ou dispersão dos dados.
Podemos
determinar o Coeficiente de variação (Cv).
Ø Coeficiente de variação (Cv) : Indica o grau
de dispersão ou de variação de uma determinada variável em estudo.
Cv =
S* 100%/X
Como
o desvio padrão (S) é determinado pela raiz quadrada da variância (S2)
temos: S= √S2, e S2 =∑ Fi (Xi- X) 2/n-1
S2
= 2 (7-9,85)2 + 2( 8- 9,85)2 + 1 (9 -9,85)2 + 4 (11-9,85)2 + 9( 10- 9,85)2+ 2
(12- 9,85)/ 20-1
S2=
16,245 + 6,845 + 0,7225 + 5,5696 + 0,2025 + 9,5048/19
S2=
39,1/19 = 2,1. Logo o desvio padrão será : S = √2,1
S =
1,45. O coeficiente de variação será:
Cv=
1,45* 100% /9,85
C v
= 14,73%. Isto quer dizer que avariável (nota) da amostra selecionada não
apresenta um grau de dispersão elevado, por isso ela é valida, pois a dispersão
entre os dados é baixa, longe dos 50%.
3-Conclusão:
Depois
de uma análise e interpretação dos dados em estudo chegamos as seguintes
conclusões:
Ø As
notas de Química geral dos alunos da 12ª classe da Escola de formação de
técnicos de saúde de Ondjiva, apresentam uma assimetria negativa com ponto de
equilíbrio rondando os 8,5 valores.
Ø Pela
distribuição irregular que os dados apresentam caracterizada pela sua
assimetria, eles não podem ser interpretados pelo valor da média, pois esta
pode nos dar a ilusão de que não existem problemas com a disciplina de Química
Geral, nesta instituição, pois a nota média (mínima) dos alunos nesta
disciplina é 9,85 que no sistema angolano é arredondada para 10. Este resultado
pode nos transmitir uma falsa informação, pensando que os alunos não apresentam
qualquer dificuldade aparente na disciplina de Química Geral.
Ø Devemos
interpretar os dados pelo valor da média, se estes apresentarem uma
distribuição regular, ou seja, se forem simétricos. Caso aja assimetria é mais
conveniente interpreta-los pelo valor da mediana, como é o nosso caso.
Ø Os
resultados apresentados nesta pesquisa são validos, porque a amostra
selecionada é representativa, e o grau de dispersão da variável (nota) em
estudo não é elevada. Também foram utilizados critérios estatísticos de forma
cautelosa e rigorosa, para que a margem de erro na investigação seja a mais
baixa possível, e a aproximar os resultados a realidade objectiva.


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